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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ELA SE FOI?



Tiago Cavalcante
1ª Edição - Alagoas

Seus olhos negros, sua pele morena,
Era tudo que ele queria conhecer...
Mas ela se foi.

Mesmo antes de chegar ela se foi.
Lembranças de um dia planejado,
Sonhos de momentos que poderiam ser vividos, se foi?

Ele se fez tantas perguntas e nenhuma foi respondida.
Ele ainda se faz perguntas...
Sua esperança é seu amor,  seu amor é a sua Fé
e os três andam juntos com ele.

Sua Fé é que o move.
Tira-lhe do lugar e levo-o para qualquer outro lugar.
E não importa a distância
Mesmo que se tenha 140 km a sua frente.

Ela se foi...

NOITE



JR
1ª Edição - Paraíba


Estilhaços de vidro pela sala
memórias jogadas ao vento
imagens que me levam ao nada
sonhos perdidos no tempo.
Sou resto do que já vivi
fragmentos soltos ao léu
penumbras de sentimento
Lúcifer desejando o céu,
querendo em cada vão momento,
decifrar a vida
em mísera procura
rebuscado guardados que só me fazem ver ,
que o viver parece eterna desventura.




 Sonhei, acordei,
 levantei, escrevi.








O ROCEIRO CONSIDERA/O JUMENTO COMO IRMÃO


Silvano Lyra
1ª Edição - Pernambuco


Ele é pau pra toda obra
Útil com ou sem carroça
No carnaval sai em troça
No campo ele se desdobra
Pois somente o que lhe sobra,
Tempo pra comer ração
Faz da noite a distração
Ruminano em sua espera
O roceiro considera
O Jumento como irmão.

Um irmão na força bruta
Mas serviu de montaria
Para o meu Jesus um dia
Hoje peso na labuta
Oh! que bicho bom de luta
Um vate, herói do sertão
Sobe e desce em qualquer chão
Mesmo assim não vitupera
O roceiro considera
O Jumento como irmão.

Comparado a um teimoso
Gente de cabeça dura
Doutor que não traz a cura
E com todo que é guloso
Apesar de ser famoso
O seu preço é um tostão
É nossa terceira mão
Sem ser olho de tandera
O roceiro considera
O Jumento como irmão.




SONETO DE AMOR



André Flores
 1ª Edição - Rio Grande do Sul


Fiz pra ti um soneto de amor
Daqueles que vem do coração
Vim trazer-te uma flor
Com ternura escrevi essa canção.

Subi aos céus em louvor
Para declarar a nossa paixão
Enquanto os anjos cantam com esplendor
Coloco nesses versos muita emoção.

Fiz pra ti um soneto infinito
Aos gritos digo ao mundo
Por ti fito, sigo e fico.

Cada vez mais quero estar contigo
Pois meu amor vem do fundo
E meu coração busca em ti abrigo.

Ah! Como é bom te amar!
Despertar a cada manhã
Poder voltar a respirar
Tendo os corpos unidos como imã.

Subitamente, fixo o olhar
Admiro teus gestos mais do que fã
Não canso de te admirar
Pois, nosso amor não é filosofia vã.

Nossa história não tem final
Plantamos uma semente
Porquê o nosso amor é surreal.

Deus nos deu um sinal
Que viveremos eternamente
O nosso amor é imortal.


André Flores


MENINA SERENA



Delonir cavalheiro
1ª Edição - Rio Grande do Sul

Menina do corpo moreno
De cabelos esvoaçantes
De olhares provocantes
Me tira o Sossêgo

Menina morena
Teu corpo me atiça
Teu beijo me enfeitiça
Faz arte
Faz pirraça

Menina morena
De fogo ardente
Deixa me queimar
Em tua chama quente

Ah! Menina morena
Tão picante
Pimenta malagueta
Flor de ir embora
Menina pequena
Menina serena



CADÊ IONE?


Marcelo de Oliveira Souza
1ª Edição - Bahia

Hoje em dia é muito difícil educar uma criança, visto que a nossa sociedade se transformou e a fronteira entre o tradicional e o démodé virou a mesma face da moeda, cujo lado contrário virou a permissividade.
Outro detalhe muito importante é quando o casal se separa, a criança entra em parafuso, muitas vezes não é por causa da separação, mas porque os pais que entraram em paranóia primeiro.
Foi assim mesmo, o caso de Rosângela, uma morena que mora lá no são Caetano, ela tinha acabado de se casar com Rodrigão, um homem grosseiro que veio do sertão.
Não demorou muito, ele arranjou logo um jeito de engravidar a moça, para ver se coloca as rédeas, segundo o infeliz.
Depois de nove meses já se viu o resultado, um grito estrondoso, com o pulmão a toda força, estreou Ione, uma moreninha sapeca.
O tempo foi passando e o nosso amigo aprontando, para cima da sofredora esposa, deu para tomar umas cervejas depois do trabalho de vigia na Ceasa, que só voltava lá pra a madrugada.
A mulher que trabalhava à noite num supermercado, não tinha tempo nem de se coçar, você sabe como é caixa de um lugar desses...
O melhor jeito que ela arranjou foi tratar logo de batizar essa garota, entregando esse “presente” para a sua irmã Rita e seu esposo Osvaldo.
Assim a moça foi mais despreocupada para o trabalho, cumprir a sua sentença no caixa de supermercado, e o esposo que não trabalhava mais por causa do alcoolismo ficava o dia inteiro no bar e à noite se jogava na cama para dormir.
Lá pelas onze horas quando a sofredora chegava, ainda o homem procurava confusão, com ciúmes, dizendo que a moça estava se vendendo na rua, futucava a bolsa da coitada perguntando sobre o dinheiro.
Sei que o casamento ruiu diante de tanto desencontro e humilhação, nesse quadro, Ione já estava” maiorzinha”, com onze anos de idade.
A salvação dela era que a menina estava em ótimas mãos, mas o que é bom dura pouco, a menina conseguiu passar no “ventibulinho” do colégio da Polícia Militar, público e conceituado, mas é longe de casa.
Poe isso, ia de van para a instituição e quando voltava ficava na casa da avó que morava na mesma rua e nos finais de semana ela ia para a residência dos padrinhos, de lá, passeavam para tudo quanto é lugar, era uma festa.
Lá no colégio a garota vez muitas amizades, só que as coleguinhas eram bem avançadinhas, já se pintavam, se achando mocinhas, ia para o shopping aos sábados, formado uma daquelas tradicionais tribos que a gente vê tanto nesses lugares de Salvador.
A transformação era a olhos vistos, quem percebia mais era a madrinha, até o cabelo a garota queria modificar, não aceitava mais trancinhas, queria se vestir como adolescente ou até adulta.
A insatisfação era total, a mãe preocupada com a transformação da guria, enchia-a de presentes, se “embolava” no cartão de crédito e comprava tudo, deu até o famigerado computador+internet que nessa soma resulta no Facebronca!
A menina fez um perfil com outro nome e ficava paquerando todo mundo que achava bonitinho, eram longas horas sentada na “segurança” do seu minúsculo quartinho.
A mãe satisfeita que a menina parou em casa, a madrinha mais descansada, porque a criança diminuiu as suas idas na sua residência, mas a avó ficava desconfiada com tanta risadinha advinda do quartinho do barraco.
No aniversário de doze anos da garota, ela ganhou um celular, um grande aliado da perdição juvenil, claro que a menina adorou.
A nossa amiga “caixa” toda satisfeita ainda vociferou para a mãe:
- Agora parece que as coisas estão indo para o lugar! Eu já estou namorando a minha filha se comportando e tudo se endireitando...
O namorado chamava-se Hélio, mora ali mesmo na viela dela, viu os atributos da mulher e resolveu conferir o “caixa”.
Não é que algum tempo depois ele já estava indo dormir lá no “moquifo” da nossa amiga?
O pior que o beberrão do ex-marido, o ex-vigia não gostou e foi lá tirar satisfação, o caldo engrossou, o pau comeu no barraco, se engalfinharam, saíram rolando a ribanceira, foram parar lá embaixo perto da pista, só não terminaram na rua porque tinha uma cerca de arame farpado que segurou os dois num grande abraço de urso.
Depois do incidente, Rosângela conversou com o seu ex-marido e ameaçou levá-lo à delegacia.
O homem sumiu, agora quem “mandava” era Hélio, que não dormiu no ponto, tratou logo de engravidar a sofredora.
A bagaceira estava perfeita, uma adolescente problemática, a mãe com a corda no pescoço, cheia de dívidas e de preocupações, o tal do homem com nome de gás nobre, não tinha nenhuma nobreza, pelo contrário, fazia bico como motorista lá na Cesta do Povo.
Ione não estava mais se concentrando na escola, só queria saber de encontrar os amigos do Facebronca e para piorar a madrinha engravidou e não tinha mais tempo de ficar saindo com a menina, que se queixava à mãe de não poder sair mais, não passeava, não ia para canto nenhum, era só no celular e na internet.
A avó dizia aquela célere frase:
- O que tanto essa menina faz no computador?
Mas não havia nenhuma resposta.
As notas delas ruíram, a menina saiu do Colégio Militar, foi para uma escolinha particular de bairro, ia estudar, mas não entrava na instituição, ela saía para namorar os amigos da net.
A mãe chegava tarde, a avó se queixava do comportamento da neta, o “namorado” queria atenção, a filha se trancava no quarto batendo a porta com a maior força, não abria a porta nem por um decreto e amanhecia...
A triste rotina seguia, Ione deu até para sair escondido, no meio da noite, ninguém sabe pra onde.
Certo dia, quando a nossa sofredora personagem chegou, ela viu o quarto da menina aberto e achando estranho perguntou:
- Cadê Ione?
O namorado dela não sabia responder, dizia que podia estar na casa da avó.
Imediatamente a coitada arrastou seu corpo até a casa da mãe e foi lá perguntar pela filha.
Só que a casa esta trancada e a idosa que não ouvia muito bem já estava no terceiro sonho.
A mulher começou a gritar pela filha, acordou a rua todinha, depois de muito escândalo a vovó Zilda acordou.
E a filha em prantos perguntou:
- Cadê Ione, mãe?
A avó da menina responde:
- Ué, está dormindo na sua casa!
Foi aí que a confusão aumentou, todo mundo assustado pela ausência da menina resolveu sair em meio à madrugada, naquele lugar perigoso.
Hélio pegou seu Chevette e saiu para os lugares mais distantes, Rosângela mesmo grávida, juntou-se com uns vizinhos e foi procurar a menina em cada beco da favela.
A irmã grávida foi para a delegacia dar uma queixa, o padrinho foi ao hospital.
Ninguém conseguiu localizar Ione, apesar da polícia também procurar, a menina parece que sumiu no ar, e a pergunta fica sempre no juízo da sua genitora, que foi promovida de caixa a coordenadora:
- Cadê Ione?

MEU ESTILO


Márcio Alexandre
1ª Edição - Sergipe


Não me torturem perguntando.
Se sigo o moderno ou romântico,
O sacro ou profano,
Se faço versos cruzados
Ou sigo rimando.
Se escrevo soneto ou quarteto.
Não me torturem por obséquio.
Apenas escrevo, porque penso que meu estilo é escrever
E se tiver alguém que entenda a minha escrita,
Dou-me por satisfeito, porque entendeu o meu estilo.
Mas acrescento, que certamente ele está mais próximo do coração e não do entendimento.

DE QUALQUER JEITO


MARLETE ALVES
1ª Edição - Sergipe

Quero sentir o que puder sentir
Compartilhar e viver amores
Quero fazer coisas incríveis
Quando puder, subtrair horrores
Quero fazer um monte de besteiras
Besteiras daquelas bem cabeludas
Quero quebrar minha cara
Quebrar sem precisar de ajuda
Quero correr sem contar o tempo
Estar aqui, além ou ali
Valorizar os simples momentos
Me libertar das dores que sofri
Quero cantar uma música sorridente
Quero repleto meu eu sentimental
Quero acordar um dia natural
Despreocupada, feliz, contente
Que o paraíso não seja incompleto
Que a alma seja sutil reparadora
Quero soltar o meu grito poético
Não quero ser caça, nem caçadora
Eu quero, eu posso, eu tenho
Eu faço, eu amo, eu aceito
Tudo é de qualquer jeito
Sigo vivendo, vou continuando
É desse jeito como estou falando
Só tem um jeito e vou ajeitando
Fazendo o que me é de direito
É com respeito que sigo poetizando.

CRIAÇÃO DE CORDEL ATRAVÉS DO MOTE


Alaíde Souza Costa
1ª Edição - Sergipe

Vivo a amar, não devia
Isso só me traz,  tormento
Eu não curto, só lamento
Saudades, que agonia!
Quero sim, ter alegria
Te ver sorrir, ô docura
Cantar e fazer loucura
Longe de ti, não mereço
Da saudade que padeço
Seu sorriso é minha cura.

(Mote: Izabel Nascimento)




Gostaria de poder
Um dia, aqui, dirimir
O que estou a sentir
Esta raiva vem crescer
Ela me faz padecer
Está em meu coração
Essa bruta traição
Como, então, te amar?
Mesmo se eu te perdoar
Esqueça de mim, paixão.

(Mote: Alaíde Souza Costa)


Sou chata por natureza
Eu procuro não errar
Tudo quero consertar
 E arrumar com destreza
Pra ficar uma lindeza
Exagero?Deve ser
Será que é um defeito?
Se for pra fazer mal feito
Eu prefiro nem fazer.

(Mote: Heleno Alexandre)



A filha, a foto postou
De seu querido papai
Essa atitude vai
Colocar uma amostra
Que dele, ela bem gosta
É um amor de verdade
 Desde a tenra idade
  Mas, que um dia, vai
Vendo a foto de seu pai
  Sentir dele, a saudade.

(Mote: Alaíde Souza Costa)

INSPIRAÇÃO


Haender Rosa
1ª Edição - Minas Gerais


Há quem tenha;
Saudades de um beija flor.
Há quem seja;
Competindo com os insetos,
O néctar da flor.
Também conhecido como colibri;
Chupa-mel, chupa-flor.
Binga, guainumbi,
Cutelo, mainoi e pica flor.
Com seu bico alongado,
Chega e paira no ar.
Beija com precisão e suavidade
Diz que quer amar.
Com sua língua bifurcada,
Feliz da flor
Enfeitiçada
Por sua pegada
Com sua plumagem,
Irisdecente,
Ele hipnotiza,
Encanta e fascina
Muita gente!
Surge como se fosse um raio,
Mas repentinamente,
Se desloca para outra flor.
Veloz e imperceptível,
ETA! Pássaro namorador!

DOCE ALIMENTO


Adilson Tinoco Rezende
1ª Edição - Minas Gerais

Assusto-me, com o teu silêncio.
Pairo no tempo
Absorto...
Levito ao vento.
Confuso, perdido
Verdadeiro, é esse tormento.
Assusto-me, com o teu silêncio.
Minh’alma confusa, reclusa.
Chora a dor, do sofrimento.
Assusto-me, com o teu silêncio.
Mas você, não sai...
... Do meu pensamento.
Amei-te no passado.
Amo-te no presente.
Desejo, ainda que no futuro...
... Seja você, meu doce alimento.

MEU VÍCIO


Lin Quintino
1ª Edição - Minas Gerais


O teu sabor embriaga-me explode em minha boca...
Sou desejo pulsando hálito quente queimando tuas mãos...
Sem pudor nos entregamos feito roupa que se rasga
mantenha-me, assim, dentro de ti...
Este é meu vício...


A NATUREZA DO AMOR



Marivalda Paticcié
1ª Edição - Minas Gerais


Sempre muito observadora, contemplava o ir e vir das pessoas...
Uma constante movimentação permanecia, independente das estações do ano e todos mencionavam, comemoravam o amor.
Nos finais de semana, nas belas tardes e noites, lá estavam os casais apaixonados a enfeitar as ruas da cidade com doces confidências, profundos abraços e suspiros; a descrever a felicidade e o imenso prazer daquele instante. Apenas observar e ouvir sobre o amor, para a minha eficaz compreensão tornou-se superficial.
Então, resolvi a percorrer pelos meios urbanos, pelos campos, pelo céu e até pelos mares para encontrá-lo, senti-lo e vivenciá-lo como aqueles casais que agora deixei para trás. Os meus olhos converteram-se em mananciais sedentos a espera da chuva, e o meu coração terno e servil, outrora selvagem...
Pois afinal, nunca amei!
Entre as cidades encontrei olhares, que observaram os meus sendo capazes de me compreenderem como um poema escrito pelo seu autor. Desde então um cavalheiro apresentou-se, caminhamos pelas avenidas a irradiar felicidade.
Mesmo que as luminárias, em alguns momentos nos deixe a meia luz, o sentimento cintila sendo impossível ocultar a magia que agora faz morada em nós. Nos campos a vegetação ainda úmida com o orvalho da bela noite que se foi é tocada, pelos primeiros raios de sol da manhã anunciada.
E assim, espalha perfume do gramado verdejante.
Aqueles campos envolviam os meus sentimentos, espontaneamente com a sua essência aromática fazendo-me cantar e encantar a vida. Tornei-me leve como aquelas folhagens, que ao soprar da brisa viaja, paira no céu a colher a colher as lágrimas das nuvens e caem semelhantes os rios, que se entregam as águas do mar.
Assim ocorre, quando repouso nos braços daquele que me ama...
Junção, mescla de sentimentos que emana de “cascatas” distintas, para regar o coração quando nos encontramos no mais alto cume, desse deslumbramento inexplicável.