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quinta-feira, 15 de março de 2018

MADRUGADA DE REFLEXÃO


Gilmar F
3ª Edição - Alagoas

Nesta madrugada silenciosa e sombria é que eu sempre reflito. Reflito muita coisa, minha vida, minhas escolhas, tudo que deu certo e que deu errado. Não tenho muita coisa para me arrepender, também não fiz muita coisa pra que pudesse arrumar motivos pra me arrepender. Deveria ter me permitido mais, ter arriscado mais, ter escrito melhor minha história. Talvez nem estivesse aqui se fizesse isso, talvez tenha desistido no meio do caminho e tido uma trajetória mais curta num olhar mais longínquo. Espero trilhar o caminho que sempre sonhei, espero fazer a diferença na vida de alguém seja no âmbito amoroso ou através dos meus conhecimentos. Nada supera receber um sorriso no rosto sabendo que o motivo daquele sorriso é você. É bonito quando alguém lhe toca com a alma, quando alguém te vê como um caminho a ser seguido. Cada vez mais as pessoas andam vazias, infelizmente o dinheiro e os interesses pessoais estão falando mais alto que as coisas simples e que realmente valem algo na vida, seja aquele sorriso, aquele abraço, aquela demonstração de afeto. Nada paga o simples da vida porque o simples da vida é dado pela sua presença como um ser que vale a pena conhecer. Seja Sempre Simples (SSS), e essa sequência de "esses" te fará diferente da maioria e mais próximo da felicidade. Boa madrugada...




PELADO NA MADRUGADA


Kleber Filósofo
3ª Edição - Alagoas


A maior vergonha está no silêncio,
o silêncio nos deixa nu.
É duro se vê nu numa madrugada silenciosa.


Arrepio-me com o pavor que é
Olhar para mim mesmo e ver
Que o silêncio; silencioso nu me deixou.


Pelado estou, despido de toda mentira,
mas coberto de toda vergonha.


Vejo que sou um covarde,
Escondo-me por meio de boas vontades, sorrisos e até piadas.


Fujo. Fujo do silêncio que me deixa nu.
Fujo da verdade que me persegue.

Fujo de Deus que me afaga.
Fujo do amigo que me aconselha.


Fujo da responsabilidade que me é dada.
Só não fujo quando estou nu.


Quando estou nu, meu coração se aperta, meus ossos se quebram,


a verdade me pega.

E o silêncio... Arranca-me as mentiras, mostra os meus erros, me rasga com seus gritos e nu me deixa.

SURPREENDENTE


GLAUTON LIRA
3ª Edição - Alagoas

Ah! Você me surpreende!
Realmente!
Surpreende com seu feminismo temperado, na medida certa, quando vejo suas verdades bem expostas.
Quando exuma ideologias liberais de amor e entendimento do ser humano.
Surpreendentemente tuas verdades me levam a romper as extremidades limitadíssimas das mentiras humanas.
Acalma minha alma, antes devorada pela perturbação de minha desenquadrada hipocrisia, vista à luz da tua leveza.
Restaura minha carne, antes podre, e formada pelo pseudo intelecto que antes me revestia.
Me fez curar dos vermes que antes devoravam meu tempo, minha alma, meus versos.
Como num arrebatamento me trás a vida!
Agora com mais arranjo, de retorno e partida.
Agradecido por tudo, por me trazer através de um poema, um conhecido dilema, que a letra sempre vence o tempo, a ignorância e o desalento, de quem com falta de sabedoria se estrepa.

ASSUSTADORA


Kelvia Vital
3ª Edição - Alagoas

Ah! Então eu te assusto?
Realmente!
Assusto esse teu machismo quando decido viver como quero.
Aterro tuas ideologias conservadoras que reproduzem um comportamento animalesco.
Atemorizo tuas verdades extremistas que limitam as minhas verdades.
Alvoroço tua alma hipócrita que se mostra podre diante da áurea leve que me envolve.
Abalo a carniça da tua estrutura intelectual que se dissolve mediante meu bom senso.
Espanto os vermes que comem tua mente desativada da realidade.
Surpreendo tua vida medíocre com a simplicidade da minha.
Amedronto teu jeito de agir quando se mostra superior, mas não passa de um Zé Ninguém.
Assombro teu caráter mesquinho ao pensar somente em seus desejos covardes.
Apavoro tua boca fedida... De quem comeu os próprios restos mortais.
Sobressalto- me!
Não por ser assustadoramente polida de caráter satisfatório.
Mas, por não querer ser como você: oco de amor próprio e entupido de orgulho.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

DEPOIS DE VOCÊ


Kelvia Vital
2ª Edição - Alagoas


Horizontes para quê?
Se tenho teu olhar, teu suor, teu sabor.
Para que servem os caminhos, depois de andar com você?
Cantos, risos, alegrias. Para quê?
Se é em você que encontro a melhor das melodias: a sua voz.
Carros, pistas, voos.
Cenários que se constroem com suas curvas derrapantes, sinuosas, viscerais.
Nem quarto, nem sala, nem varandas possuem mais meus passos.
Depois de sentir você
Tua presença me basta.
Os melhores sabores estão em sua boca.
O tempo já não me serve, depois de ter você.
Encontro a lua, o sol e os dragões de Jorge em sua pele.
O melhor de mim eu encontrei,
Depois de ter você.

NÓS


Ronaldo Crispim
2ª Edição - Alagoas


Será que meu sertão criou voz?
Andou falando de nós.
Falou da doce menina.
E desse trágico garoto.
Disse tudo e mais um pouco.
Não mediu as palavras.
Contou todas as faltas.
Entretanto, não poderia esquecer os bons tempos.
Aqueles dias felizes.
Aquelas noites sinceras.
Os abraços ardentes.
Os sabores da gente.
Vai, segue em frente.
Ele não falou só coisas ruins da gente.
Da pra superar.
Bora tomar café.
Vê o sol se pôr e a lua nascer.
Convidei o sertão.
Para nos vê adormecer.


ONDE ME ESCONDO?


Maria José Santos Silva
2ª Edição - Alagoas


Como tentar enganar aquele que tudo sabe?
Aquele que tudo conhece,
Aquele que não se vê, mas tudo percebe?

Esconder as marcas que vem a ser tão visíveis;
Para manter boa aparência, chega até ser compreensível.

Oh! Grande mestre invisível! O que fizestes?
Não posso recuperar o que de mim levastes!

Às vezes procuramos resposta e ele nos dá,
Mas quem está a procurar? O mestre silencioso não se deixa revelar!

Escondo meu rosto, envergonho-me da minha nudez,
Não sei se fico ou se passo, amanhã talvez eu não exista mais.

Escondo-me no vazio sombrio. Esconde-me dos outros para me encontrar.
Esconder-se de quê? Para quê? O que esconder?
O que não permito revelar?

Para quem vivo? Qual o motivo?
Não vivo em vão nem por uma multidão.

Sou um nada isolado na multidão, todos passam por mim, mas não me veem.
Mas sonda-me o mestre do silêncio, só ele sabe o que sou, o que sinto e penso.



SÓ SABE O QUE É A DOR, QUEM ENFRENTA ELA


Ronaldo Basílio
2ª Edição - Alagoas



     Muitos querem saber de seus problemas, mas poucos querem te ajudar.  Depois que eles sabem qual é sua dor, vão virar as costas para você, vão lhe julgar. Vão dizer que é drama, vai dizer que é modinha.

Só sabe o que é a dor, quem enfrenta ela todos os dias, e mesmo assim, tem que colocar um sorriso falso no rosto e dizer que está tudo bem. Por isso, quando você estiver triste e cheio de problemas, não conte nada a ninguém; apenas se ajoelhe e conte tudo para Deus, pois esse, sim, lhe entende e lhe aceita do jeito que você é.

NA MADRUGADA


Léo Santos
2ª Edição - Alagoas


Na madrugada
Onde tudo é silêncio
Onde tudo é pensamento
Onde tudo é você

Na madrugada
Onde você é meu viver
Onde meu pensamento é você
Onde não consigo te esquecer

Mas, irei te amar
Além da madrugada
Seja em dias chuvosos ou calorosos

Irei te amar
A cada novo dia
Como se não houvesse o amanhã.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ELA SE FOI?



Tiago Cavalcante
1ª Edição - Alagoas

Seus olhos negros, sua pele morena,
Era tudo que ele queria conhecer...
Mas ela se foi.

Mesmo antes de chegar ela se foi.
Lembranças de um dia planejado,
Sonhos de momentos que poderiam ser vividos, se foi?

Ele se fez tantas perguntas e nenhuma foi respondida.
Ele ainda se faz perguntas...
Sua esperança é seu amor,  seu amor é a sua Fé
e os três andam juntos com ele.

Sua Fé é que o move.
Tira-lhe do lugar e levo-o para qualquer outro lugar.
E não importa a distância
Mesmo que se tenha 140 km a sua frente.

Ela se foi...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

"Homens sem Alma”


Thiago Sotthero
12ª Edição - Alagoas


Amontoados corpos nus,
Em convés de navios negreiros,
Correntes me prendem,
Feito raízes enfiadas no chão.

Traficados e condenados,
Ao trabalho escravo árduo,
Sobre sol alaranjado,
Castigo infundado por ser Negro.

Roubados de minha terra,
E acordado pelo chicote estralando,
Mistura-se o encarnado do sangue,
Sobre a cor de minha pele negra.

Dores não sinto,
No tronco fazem-se em gritos,
O valor da saudade,
E as lágrimas que clamam liberdade.

Em coral no canavial,
Escuta-se as vozes sofridas,
De meus irmãos de cor uma canção,
Passada de geração em geração.

Na beira dos rios minhas irmãs,
Chorosas por seus filhos perdidos,
Em único ritmo lavam as roupas,
Cantando a mesma canção.

Liberdades onde esconde-se,
Venha ao meu encontro,
Ou vou eu ao seu encontro,
Liberdade quero ser filho teu.

Não fuja de mim,
Quero consolo teu,
Me abrace com carinho,
Não espere eu morrer.

Liberdades onde esconde-se,
Venha ao meu encontro,
Ou vou eu ao seu encontro,
Liberdade quero ser filho teu.

Não fuja de mim,
Quero consolo teu,
Me abrace com carinho,
Não espere eu morrer.

Noutro dia continua labuta diária.
Amaldiçoado pela ambição alheia,
Máscara de caras pálidas,
Usa-nos para aumentar sua riqueza.

Nessa guerra banhadas por luta,
Ficam tatuadas cicatrizes feitas,
Por chicotes de homens sem almas,
Grito liberdade ou morrerei tentando.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

POR UM SEGUNDO


Maria José
12ª Edição - Alagoas


Em um segundo
Perde-se o mundo
Os sonhos se vão
Vem a solidão
Por um segundo
Num buraco profundo
Negra escuridão
Sem tempo de perdão
Por um segundo
Se foi moribundo
A vida passou
Em um nada repousou
Por um segundo
Acabou-se o mundo
O filme passou
O sonho acabou
Por um segundo
Triste e profundo
Sólido e frio
Sozinho partia
Por um segundo
Se foi moribundo
Sem tempo de pensar
Nem como voltar
Em um segundo
Num vazio profundo
Tudo deixa de existir
Para quem de repente teve que partir.

Meu tempo


Erivaldo Amancio
12ª Edição - Alagoas


Sou do tempo em que roupa só vestia;
se investia em gente em vez de em ações.
Os sons nas calçadas eram de gente que se via.
Sim, via. Além da via das telecomunicações.

Sou do tempo em que carro era de lata
de leite
deleite para os moleques pelados.
Ralados, os joelhos eram a marca
de que marca não era o mais procurado.

Sou do tempo em que se tinha tempo
e o relógio era um sol num indo e vindo.
E findo aquele dia, no relento,
tinha povo na calçada se assistindo.

Desatando nós


M. Lemos
12ª Edição - Alagoas


Deu um nó dizer já não te amar
Doeu dizer já não te quero
Não foi fácil
Ter o peito dilacerado
E a alma em desalinho
Não foi simples
Nunca aprendi a mentir
Doeu demais dizer já não te amar
E demorei, mas entendi
Que o amor que há aqui
Foi o desaprender do que senti
Do ser lixo que um dia acreditei
Que a mentira de não te amar
Foi muito mais por me amar
Porque cansei das tuas ausências
Da tua presença tão ausente
Cansei da solidão a dois
Se esgotou o amor a sós
Com o travesseiro, a cama e os rebentos
Demorou mais entendi
Que amar sem se amar
É entrega pela metade
Porque só posso me doar
Se for permitido ser completa
Se puder ser sujeito presente
Demorei mais entendi
E hoje não tão inteira
Ainda catando pedaços
Ainda desatando nós
Não te quero em minha vida
Porque ela deixaria de ser minha
Não poderia ser mais eu
Seria novamente sujeito oculto
Numa história inacabada
Tipo história sem fim
História de dor, de nó, de nós
De um nó do nós
Que ainda insiste em estar aqui.

sábado, 11 de novembro de 2017

E PARA FRENTE ELE CAMINHAVA...


Gilberto Melo
11ª Edição - Alagoas

Perante a mentira e a dor não recuava...

Ia ao deserto e mais forte retornava...

Era traído e não condenava.

Quando então perceberam que toda vez que ele caía se levantava...

O pregaram em uma Cruz porque a multidão clamava.

Meu Deus o santo dos santos sua jornada no mundo assim terminava.

Mas desde aquele dia seu exemplo arrebatava...

Dois mil anos se passaram e a humanidade não aprendeu nada com o homem que a tudo perdoava.

Preferem a religião e a hipocrisia a seu exemplo que edificava...

Líderes políticos e religiosos são adulados dia e noite e o santo dos santos lá da outra dimensão chora lágrimas de sangue por essa gente de GANÂNCIA desenfreada.

Jesus Cristo o nosso salvador, não merece essa triste visão da humanidade doutrinada a corrupção, não era isso que ensinava..

Enquanto pela humanidade se doava a multidão por Barrabás o trocava....

E eu afirmo com veemência, se ele retornasse hoje seria crucificado novamente, dessa vez de cabeça para baixo dentro de uma fogueira.

Porque meu Deus a humanidade perdeu a estribeira.

Pai perdoa, eles não sabem o que fazem, esquecem os tesouros eternos que prometestes, para se deliciar nos prazeres da carne dessa vida passageira.

Mas está escrito e nunca será revogado, aquele que lutar e resistir aos vícios da carne, seu galardão receberá do outro lado.

Assim Seja!










segunda-feira, 23 de outubro de 2017

QUERO FALAR


Gabriel Bernardo
10ª Edição - Alagoas


São fatos, descasos
pontos de encontro
onde nos vemos a bordo
de uma aventura, uma história
sua, minha, nossa
estamos evitando descrições
limites para a nossa alma transformadora
buscando novas reações
sobrevivendo ao complexo processo de mudança
nascer, crescer, morrer e ponto final
como se o fim fosse a esperança do começo
vivemos tentando morrer, afinal
morrer é viver todo dia como se fosse o começo
sempre há tempo de ser
seja o mais profundo possível
encontre o seu prazer
transborde o universo passível
Extraia dos seus momentos mais íntimos a certeza de que valeu a pena
correr durante todo esse tempo, mesmo a fraquejar, recolha os restos das estrelas e construa um novo horizonte.



PRIMAVERA


Thiago Sotthero
10ª Edição - Alagoas

Primavera Chegou,
Me trazendo você,
Fez florescer meus sentidos,
E brotar meu sorriso,
Torno-me mais teu,
Do que Meu.
Refém da primavera,
E dos beijos seus.

SONETO DO AMOR


Leandro Santos
10ª Edição - Alagoas

Amor, mil maneiras de querer
Amor, que nos dar razão de viver
Amor, que nos permite conhecer
Amor, que nos permite fazer o bem

Amor, que nos faz ver quem realmente está conosco
Amor, que é fazer de tudo sem esperar nada em troca
Amor, que é entender só em olhar
Amor, que nos permite se doar por inteiro

Amor, é está mesmo sem está
Amor, é amar sem abraçar
Amor, é abraçar e se sentir bem

Amor, é sentir quando a pessoa não está bem
Amor, é você está feliz pela outra pessoa
Amor, é você estando triste ter alguém por ti.

ANTES DE AMAR VOCÊ, EU ME AMO POR INTEIRA


Nívea Alves
10ª Edição - Alagoas

Eu não vou atender sempre que você me ligar; mensagens no WhatsApp, eu irei visualizar. Talvez eu responda, mas entenda que se eu não responder naquele momento, não é porque estou te ignorando, eu só não quero conversar.

Nem todas as vezes que você me chamar para sair, eu irei. Entenda que eu preciso de um tempo para mim e não é sempre que eu estarei afim.

Se você me disser que acabou, tudo bem, eu vou entender.  Só não espere que eu chore por você. Talvez você pense que eu não me importo, mas eu me importo sim. Me importo primeiramente com o meu bem estar.  E sofrer por alguém não está em meus planos.

Você acha que eu sou egoísta. Erro seu! Se você não soube compreender, quem perdeu não fui eu. Não sou egoísta, mas meu coração é aberto. Não penso somente em mim.  Mas se você não soube ser compreensivo, o próximo saberá.  Eu não penso apenas em mim!Penso também que algo melhor eu possa encontrar e amar.

Não é todas as vezes que eu estarei disposta. Posso estar com alguma dor que me incomoda e, mesmo com sua presença e declarações de amor, eu irei sorrir e te abraçar, mas não vou falar que te amo, porque, se tem uma coisa que eu aprendi é que, ações valem mais do que palavras.

Se eu ficar séria, por favor, respeite! Porque, quando estou com raiva, eu viro uma fera!

Talvez você me veja como uma mulher mimada e, talvez eu seja, mas, antes de amar você, eu me amo por inteira.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MINHA INFÂNCIA


Cléo Barros
9ª Edição - Alagoas

Nesses singelos versos venho relatar
O meu tempo de criança
Tempo bom, do meu agrado
Que tenho boas lembranças.

Num lugar bem guardado
Que eu chamo de lembrança
Ficam guardadas as alegrias
do meu tempo de criança.

Infância palavra bonita
Que me traz recordações
De um tempo precioso
Que alegra meu coração,

Numa grande simplicidade
Minha família vivia
E mesmos com as dificuldades
A gente sempre sorria.

Minha mãe, mulher guerreira
Igual a todas do sertão
Era humildade em pessoa
Mulher de grande devoção.

Era uma mãe dedicada
Que me ensinou a gostar
Da leitura e da escrita
Pra poder me expressar.

Meu pai que muito viajava
Para ganhar nosso pão
No dia que retornava
Era pura diversão.

De banho no rio Ipanema
Às brincadeiras na calçada
Ele sempre fazia
A alegria da filharada.

Naquele período as férias
Tinha um tempo generoso
Era para as crianças
Um momento maravilhoso.

Na casa de minha avó materna
A farra se concretizava
Era lá o lugar ideal
Que toda criança gostava.

Petronília era Ela
Que os netos acolhia
Com humildade e carinho
Tudo virava folia.

Embaixo de um pé de trapiá
A brincadeira acontecia
Carro de boi, banho de barreiro,
Só existia alegria.

Também tinha por lá
Madrinha, padrinho, primos e tios,
Que se envolviam nos cuidados
E nos nossos desafios.

Tempo bom era aquele
Que trago na minha lembrança
Momento outrora singelo
Do meu tempo de criança.