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segunda-feira, 19 de março de 2018

CORDEL: A MARCHA DAS MULHERES


Aderaldo Luciano
3ª Edição - Paraíba

Em 1929, Francisco das Chagas Batista, pai de Maria das Neves Batista Pimentel, a pioneira do cordel, publicou a antologia Cantadores e Poetas Populares, pela Popular Editora, de João Pessoa. A editora é citada por Mario de Andrade em seu livro de notas de viagem Turista Aprendiz. Na abertura, o organizador tece críticas a Leonardo Motta, Gustavo Barroso e Rodrigues de Carvalho pela omissão do nome de excelentes poetas representantes da poesia do povo. Essa antologia é importantíssima porque, pela primeira vez, um poeta se contrapõe aos pesquisadores mais respeitados da época, chamando a atenção para uma produção que ficara à margem. Nessa antologia não há NENHUM NOME DE MULHER como autora.

35 anos depois da antologia de Francisco das Chagas Batista, a Casa de Rui Barbosa publica sua primeira antologia, a Literatura Popular em Verso. O organizador, Manoel Cavalcanti Proença, lidando com o acervo da casa, apresenta a matriz de vários folhetos, romances em cordel, já devidamente imortalizados na memória do povo do nordeste, primeiro, e no seio do sudeste, visto que a editora Prelúdio, de São Paulo, já há dez anos, enriquecia seu catálogo com as "histórias do norte". O Tomo II dessa antologia foi reservado aos Estudos, nele Sebastião Nunes Batista, filho de Chagas Batista e irmão de Maria das Neves, faz a célebre restituição de autoria aos títulos de Leandro Gomes de Barros. Nessa antologia não há NENHUM NOME DE MULHER como autora.

12 anos depois da antologia da Casa de Rui Barbosa, em 1977, a Fundação José Augusto, do Rio Grande do Norte, publica a Antologia de Literatura de Cordel. O nome "literatura de cordel" começa a se estabelecer na referência aquilo que chamou-se poesia popular (Chagas Batista) e "literatura popular em verso" (Proença). O organizador é Sebastião Nunes Batista, o mesmo da Restituição de Autoria citada no parágrafo anterior. O primeiro texto, como uma apresentação, é de Manuel Diágues Júnior que apresenta nosso cordel como herdeiro da "literatura oral tradicional" cuja origem seria a Península Ibérica. O próprio organizador referenda esse viés, embora afirme que tratam-se de "estórias rimadas por poetas populares do Nordeste". Nessa antologia não há NENHUM NOME DE MULHER como autora.

Em 1978, a Secretaria de Cultura do Ceará publica, em dois volumes, sua Antologia de Literatura de Cordel. O nome "literatura de cordel" se estabelece na referência aos nossos folhetos e o Ceará consolida a vanguarda na produção cordelística. Com bons textos e testemunhos e biografias dos poetas participantes, a antologia traz uma boa bibliografia sobre a poesia do povo, mas ainda a vincula ao folclore, mesmo sabendo-a não anônima e muito bem datada. Boa iconografia, traz o diálogo do cordel com a xilogravura e apresenta pela primeira vez o nome de Pedro Bandeira, considerado o príncipe dos poetas populares. Bandeira inaugura a presença do poeta cantador que também produz cordel, cujos representantes, como João Melquíades, haviam nascido no séc. XIX e ele nascera em 1938, ano de aparecimento de Altino Alagoano (Maria das Neves Batista Pimentel). Nessa antologia não há NENHUM NOME DE MULHER como autora.

Em 1982, o Banco do Nordeste, na comemoração dos seus 30 anos, promove sua antologia chamada Literatura de Cordel. Em sua Nota Prévia, Gilberto Freyre elege-se "o mais doutorado... que não ostenta seus títulos doutoralmente ou magistralmente acadêmicos." Ao que completa-se como aquele que enfileira-se ao lado dos que mais escutam, pensam, sentem e escrevem sobre "seus compatriotas rústicos e até analfabetos, através da chamada Literatura de Cordel." Inaugura-se a apresentação dos poetas como desprovidos de letras e atributos estéticos, mas que, mesmo assim são fundamentais ao Nordeste. Eleva-se o muro entre o que é "popular" e o que é "erudito" em literatura e arte. Também pela primeira vez se apresenta o estudioso Raymond Cantel como definidor do que seja o cordel, citado por Veríssimo de Melo no importante artigo Literatura de Cordel, Visão Histórica e Aspectos Principais. Nessa antologia não há NENHUM NOME DE MULHER como autora.

Em 2017, as editoras Veloso e Nordestina Editora reuniram 53 poetas de cordel em sua antologia Cordelistas Contemporâneos. É o que há de mais representativo da produção atual no que se diz respeito ao universo cordelístico. Figuram nomes que abrangem boa parte do território brasileiro e é possível criar-se um mapa dessa produção. O idealizador Zeca Pereira convidou os poetas que bancaram, eles mesmos, os custos e os trabalhos de confecção. Também é possível observar-se o tipo de produção e o apuro técnico dos poetas, os temas e a presença da poesia. Nessa antologia aparece o nome de 6 (seis) mulheres contrapondo-se à supremacia de 47 autores. Podemos contá-las nos dedos: Anne Karolynne, de Campina Grande-PB, Auri Lopes, de Fortaleza-CE, Cleusa Santo, de Tarumã-SP, Jennifer Amorim, do Cabo-PE, Madalena Castro, de Bom Jardim-PE e Rita Cruz, de Acaraú-CE.

Em 2018, a Academia Sergipana de Cordel reuniu 17 poetas mulheres em sua antologia Das Neves Às Nuvens - I Antologia das Mulheres do Cordel Sergipano. É um marco. Nenhuma delas constou em qualquer antologia anterior. Algumas delas militantes do cordel há vários anos. Outras recebendo o bastão e a responsabilidade da continuação. Isso é um avanço para o Cordel Brasileiro. É uma revolução. O retrospecto dominado pela presença da autoria masculina é quebrada e a presença feminina se consolida. Necessário urgente que o Brasil reconheça esse trabalho, essa luta e essa conquista em tempos tão complexos. Pede-se a todos os poetas do cordel, a celebração, a festa e não, nunca, o embate, o boicote, o medo. As mulheres do cordel sergipano pedem passagem e gritam com sua voz firme e entoada, com cadência, ritmo e propriedade: NESSA ANTOLOGIA HÁ A PRESENÇA DAS MULHERES COMO PROTAGONISTAS DE SUAS VIDAS DE POETA. A Academia Sergipana de Cordel tenha vida longa.






sexta-feira, 16 de março de 2018

POESIA


Marina Barreiros Mota
3Edição - Tocantins

Poesia é minha alma que sangra
Sangra sentimento
Sangra momentos
Sangra tristeza
Sangra felicidade
E assim minh’alma levita
No compasso dos meus versos
Ora alegre, ora triste
Fecundando o universo.


MULHER


JR
3ª Edição - Paraíba


Alimente os teus sonhos
Mais queridos.
Decida, faça, tente, acredite,
Pois é na busca do ideal
Tão perseguido.
Que está o alimento,
Da alma que resiste.

Vá de encontro ao que deseja,
Ao que quer .
Não desista vá em frente,
E se puder.
Convide aquele, que te ama
E que te quer,
Para ver,...tua vitória,
 Óh mulher!!

Mas que não seja, apenas vitória,
Que conseguida
Depois de tanta luta,
Fique esquecida
Num canto da história.

Repasse a tantos quantos conhecer,
Os teus sonhos, os teus medos
E o teu poder .
Nesta luta vitoriosa,...
Do teu ser !!


DEDICO  A TODAS AS MULHERES,  NO DIA!!

08 /03 / 2018

ORAÇÃO DO POETA


Tony Marquez
3ª Edição - Minas Gerais


Caminho por uma estrada
Que me fascina intensamente
Consciente que um dia
Vou chegar ao seu final
Dispenso pompas ou lágrimas
Quero apenas
Que minha partida
Seja tão silenciosa
Quanto foi minha chegada
Que as cinzas de meus ossos
Sirvam para adubar a árvore
Que dará frutos e sombra
Aos pássaros e aos andarilhos
E que Deus
Em sua infinita misericórdia
Acolha junto a ti
Minha alma tão frágil e tão pecaminosa!

ACREDITE



Adilson Tinoco Rezende
3ª Edição - Minas Gerais

Quando triste estiveres,
Reflita bem o real motivo.
Se chorar, preciso for,
Chore... Chore muito.
Mais tarde o sorriso, há de vir.
Se a danada da tristeza, persistir...
Clame a Deus, acredite...
Ele o ajudará...
... estrada prosseguir.

VENTO


Haender Rosa
3ª Edição - Minas Gerais

Como confiar no vento?
Se ele sopra pra todos os lados.
Porém, por outro lado,
Foi o vento que trouxe o meu pólen aos pés do carvalho.
Vento forte!
A brisa bate no meu rosto.
Ciclone, tornado, furacão
Twister, redemoinho e tufão.
A ventania causa vários efeitos.
Devido à força da pressão,
Tudo voa pelos ares.
E quebra em mil pedaços,
Quando cai ao chão.
Assim também os sentimentos
Formados por uma forte coluna de ar em rotação.

BUSCAS


Marivalda Paticcié
3ª Edição - Minas Gerais


Fico em busca de um abraço forte, de uma palavra sincera, de um olhar profundo capaz de discernir o que e como me sinto.


Um coração amável que possa me abrigar no dia triste e da noite fria, uma mão que segure a minha e não me deixe à beira do caminho.


Alguém que ao me contemplar lembre-se de mim também, como se fôssemos dois em uma só pessoa, assim, não ficaria mais sozinha, pois sei que tu estás em mim e eu em ti.


POESIA


Lin Quintino
3ª Edição - Minas Gerais


Poesia teu nome é mulher
que envolve e conquista
é um veneno que destilado
vai entranhando nos poros

É uma dose atrevida
que alimenta a alma
que seduz e embriaga
amante das madrugadas

É um ardor comendo o peito
um caminhar sobre a pele
uma fonte inesgotável de prazer
mas não mata a sede

É uma insônia que perdura
que rola pela cama ao nosso lado
pela madrugada arde nos olhos
até que rompe as entranhas e ganha liberdade.

quinta-feira, 15 de março de 2018

HORA DO POETA


Anésio Fraga
3ª Edição 0 Sergipe

Chega uma brilhante trilha
Na hora do poeta gritante
Chega serena penetrante
A luz do luar que brilha

Na noite de um belo luar
Os pensamentos voam
A mente do poeta povoa
Fazendo os olhos marejarem

A lua limpa o poeta
La a alma e a mente
Cura o coração doente
Limpa cola e liberta

O poeta imagina
Um outono majestoso
Esqueci a tristeza do rosto
Assina sua própria sina

A lua sabe a hora certa
A medida do amor
Dá o devido valor
Na hora do poeta

Dar valor à mulher em um só dia? A importância desse ser, decresce.

Alaíde Souza Costa
3ª Edição - Sergipe

Ela nasceu pra sorrir e brilhar   
Não veio ao mundo para sofrer 
Suas verdades nos fazem crescer   
Com jeito nos ensina a amar   
Nessa vida cheinha de pesar 
Em tudo o que ela toca, cresce
Se desenvolve rápido e floresce 
Vai a tristeza, virá alegria 
"Dar valor à mulher em um só dia?
A importância desse ser, decresce."


*Mote e glosa: Alaíde Souza Costa


FOMENTAR


MARLETE ALVES
3ª Edição - Sergipe


A poesia escavou-me como se fosse um fóssil
Numa ficcionalidade, dócil
Fez-me romance na dor
Oh flor!
Se plantada...
Serei um poema de olor
Numa metamorfose, suplantada.
Propensa aos decênios conscientizadores.
Minh'alma sem poesia não é nada!
Vinde à mim a inspiração "Senhor";
Para que possa romancear
O dom simultâneo, fomentador.

MADRUGADA DE REFLEXÃO


Gilmar F
3ª Edição - Alagoas

Nesta madrugada silenciosa e sombria é que eu sempre reflito. Reflito muita coisa, minha vida, minhas escolhas, tudo que deu certo e que deu errado. Não tenho muita coisa para me arrepender, também não fiz muita coisa pra que pudesse arrumar motivos pra me arrepender. Deveria ter me permitido mais, ter arriscado mais, ter escrito melhor minha história. Talvez nem estivesse aqui se fizesse isso, talvez tenha desistido no meio do caminho e tido uma trajetória mais curta num olhar mais longínquo. Espero trilhar o caminho que sempre sonhei, espero fazer a diferença na vida de alguém seja no âmbito amoroso ou através dos meus conhecimentos. Nada supera receber um sorriso no rosto sabendo que o motivo daquele sorriso é você. É bonito quando alguém lhe toca com a alma, quando alguém te vê como um caminho a ser seguido. Cada vez mais as pessoas andam vazias, infelizmente o dinheiro e os interesses pessoais estão falando mais alto que as coisas simples e que realmente valem algo na vida, seja aquele sorriso, aquele abraço, aquela demonstração de afeto. Nada paga o simples da vida porque o simples da vida é dado pela sua presença como um ser que vale a pena conhecer. Seja Sempre Simples (SSS), e essa sequência de "esses" te fará diferente da maioria e mais próximo da felicidade. Boa madrugada...




PELADO NA MADRUGADA


Kleber Filósofo
3ª Edição - Alagoas


A maior vergonha está no silêncio,
o silêncio nos deixa nu.
É duro se vê nu numa madrugada silenciosa.


Arrepio-me com o pavor que é
Olhar para mim mesmo e ver
Que o silêncio; silencioso nu me deixou.


Pelado estou, despido de toda mentira,
mas coberto de toda vergonha.


Vejo que sou um covarde,
Escondo-me por meio de boas vontades, sorrisos e até piadas.


Fujo. Fujo do silêncio que me deixa nu.
Fujo da verdade que me persegue.

Fujo de Deus que me afaga.
Fujo do amigo que me aconselha.


Fujo da responsabilidade que me é dada.
Só não fujo quando estou nu.


Quando estou nu, meu coração se aperta, meus ossos se quebram,


a verdade me pega.

E o silêncio... Arranca-me as mentiras, mostra os meus erros, me rasga com seus gritos e nu me deixa.

SURPREENDENTE


GLAUTON LIRA
3ª Edição - Alagoas

Ah! Você me surpreende!
Realmente!
Surpreende com seu feminismo temperado, na medida certa, quando vejo suas verdades bem expostas.
Quando exuma ideologias liberais de amor e entendimento do ser humano.
Surpreendentemente tuas verdades me levam a romper as extremidades limitadíssimas das mentiras humanas.
Acalma minha alma, antes devorada pela perturbação de minha desenquadrada hipocrisia, vista à luz da tua leveza.
Restaura minha carne, antes podre, e formada pelo pseudo intelecto que antes me revestia.
Me fez curar dos vermes que antes devoravam meu tempo, minha alma, meus versos.
Como num arrebatamento me trás a vida!
Agora com mais arranjo, de retorno e partida.
Agradecido por tudo, por me trazer através de um poema, um conhecido dilema, que a letra sempre vence o tempo, a ignorância e o desalento, de quem com falta de sabedoria se estrepa.

ASSUSTADORA


Kelvia Vital
3ª Edição - Alagoas

Ah! Então eu te assusto?
Realmente!
Assusto esse teu machismo quando decido viver como quero.
Aterro tuas ideologias conservadoras que reproduzem um comportamento animalesco.
Atemorizo tuas verdades extremistas que limitam as minhas verdades.
Alvoroço tua alma hipócrita que se mostra podre diante da áurea leve que me envolve.
Abalo a carniça da tua estrutura intelectual que se dissolve mediante meu bom senso.
Espanto os vermes que comem tua mente desativada da realidade.
Surpreendo tua vida medíocre com a simplicidade da minha.
Amedronto teu jeito de agir quando se mostra superior, mas não passa de um Zé Ninguém.
Assombro teu caráter mesquinho ao pensar somente em seus desejos covardes.
Apavoro tua boca fedida... De quem comeu os próprios restos mortais.
Sobressalto- me!
Não por ser assustadoramente polida de caráter satisfatório.
Mas, por não querer ser como você: oco de amor próprio e entupido de orgulho.

*MULHER


Silvano Lyra
3ª Edição - Pernambuco


Mulher desde a criação
Criação da raça humana
Humana entre nós tem sido
Sido a graça soberana
Soberana em cada encanto
Encanto que d'alma emana.

Emana nesse jardim
Jardim cujas flores dão
Dão refrigério e frescor
Frescor brota no perdão
Perdão que faz jus ao ser
Ser que estende sempre a mão.

Mão pronta pra abençoar
Abençoar sempre a quem
Quem se dispõe sempre amar
Amar só fazendo o bem
Bem na palavra de Deus
Deus que liberta o refém.

Refém de qualquer engano
Engano, que não mais quer!
Quer amar sem sentir medo
Medo de insulto qualquer
Qualquer que lhe tire o brilho
Brilho eterniza a mulher.


* Sextilhas de ponta a ponta