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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

"Não se deve reprisar/ As cenas cruéis da vida"


Silvano Lyra
9ª Edição - Pernambuco


O que te dá esperança
Deixe vivo na memória
E o que já virou escória
No fundo do mar tu lança
Faça na mente aliança
Para a alma não ser sofrida
Que garantia estendida
Só Deus se propõe a dar
Não se deve reprisar
As cenas cruéis da vida.


*Mote e glosa do autor

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A MORTE


 Zé Gaiola
9ª Edição – São Paulo


Ninguém quer morrer.
Mas a morte é irremediável.
A morte é a última esperança de viver.
Toda pessoa querida é insubstituível.
Cada minuto que vivemos pertence à morte.
A morte deixa muitas saudades.
Dos falecidos, dos lugares que esteve presente.
Cada ano que passou era festejado.
Até quando chegar o dia nefando.
Existem diversas crenças sobre a morte.
Toda religião tem seu ritual de despedida.
A velhice antecipa o sinal da morte.
Ninguém sabe quando vai morrer.
Escrever sobre a morte é penoso.
Por causa disso não ficara saudoso.
Não é bom ser enterrado.
Porque é muito chocante.
O processo de cremação,
diminui a comoção.
Antes de morrer,
vamos viver bons momentos.
Agradecer a Deus
por tudo que passamos.
Com tudo isso, as pessoas dizem:
Se morrer vamos descansar,
eu prefiro viver cansado.


MINHA INFÂNCIA


Cléo Barros
9ª Edição - Alagoas

Nesses singelos versos venho relatar
O meu tempo de criança
Tempo bom, do meu agrado
Que tenho boas lembranças.

Num lugar bem guardado
Que eu chamo de lembrança
Ficam guardadas as alegrias
do meu tempo de criança.

Infância palavra bonita
Que me traz recordações
De um tempo precioso
Que alegra meu coração,

Numa grande simplicidade
Minha família vivia
E mesmos com as dificuldades
A gente sempre sorria.

Minha mãe, mulher guerreira
Igual a todas do sertão
Era humildade em pessoa
Mulher de grande devoção.

Era uma mãe dedicada
Que me ensinou a gostar
Da leitura e da escrita
Pra poder me expressar.

Meu pai que muito viajava
Para ganhar nosso pão
No dia que retornava
Era pura diversão.

De banho no rio Ipanema
Às brincadeiras na calçada
Ele sempre fazia
A alegria da filharada.

Naquele período as férias
Tinha um tempo generoso
Era para as crianças
Um momento maravilhoso.

Na casa de minha avó materna
A farra se concretizava
Era lá o lugar ideal
Que toda criança gostava.

Petronília era Ela
Que os netos acolhia
Com humildade e carinho
Tudo virava folia.

Embaixo de um pé de trapiá
A brincadeira acontecia
Carro de boi, banho de barreiro,
Só existia alegria.

Também tinha por lá
Madrinha, padrinho, primos e tios,
Que se envolviam nos cuidados
E nos nossos desafios.

Tempo bom era aquele
Que trago na minha lembrança
Momento outrora singelo
Do meu tempo de criança.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

DESCONTROLE DO PLANETA


Djalma Amorim Ramos
9ª Edição - Bahia

Valha-me Deus, o que está acontecendo?
Estou querendo saber, por que a terra tá tremendo?
Parece uma luta, disputada no tatame
Além da terra tremer, de quebra vem o tsunami
Essa situação, não é nada engraçada
É uma ventania, é uma chuvarada!
Parece o fim do mundo, eu não sei de mais nada
Afinal, o que vai acontecer, só deus poderá responder
Com o aquecimento global, o culpado sou eu, o culpado é você
Que não respeita a natureza e nem no que poderá acontecer
Deus criou o mundo, construiu esse patrimônio
Mas, a negligência do homem, está destruindo, a camada de ozônio
Ficou no ar, uma grande ferida
Por conta disso, a terra ficou desprotegida!
Se pudesse falaria, com essa rapaziada
Vamos parar de fazer fumaça, vamos para com as queimadas!
Por isso a terra virou um inferno!
Ninguém sabe quando é verão, primavera ou inverno!
Com tanta chuva, todos estão vendo, não é?
Vou preparar a minha arca, vou fazer igual a Noé.

O MÊS DE SETEMBRO


Wanfrido Gomes
9ª Edição - Sergipe

O mês de  Setembro chegou
Trazendo alegria para todos
Mulher, menino e crianças
E também para o idoso

É tempo de alegria
Brincadeiras para todos
Muito sol, praia e piscina
Tudo isso ainda é pouco

Não podemos ficar para trás
Precisamos seguir setembro
Aproveitando as coisas boas
E tudo que ele traz

Quando chega  setembro
O mundo fica sorridente
Todos  ficam mais felizes
E a vida segue em frente

Vamos aplaudir setembro
Não podemos ficar para trás
Aproveitar as coisas boas
Que ele trouxe para a gente.

Está aberto o convite
Venha brincar com a gente
Com fé , esperança e amor
Que a vida segue em frente

Trazendo o sorriso no rosto
E a assim seguir em frente
Para sempre ser feliz
E setembro com a gente.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

TRANSIÇÃO!


Severo D'Acelino
9ª Edição - Sergipe

O silêncio da luz,
incendiou as Estrelas,
na escuridão da Lua,
eclipsada.
A Brisa, trouxe no amanhecer
turvado, o Arco-íris de Kilamarê
As Chuvas de transição,
trouxe peixes jogados nos
córregos que se fizeram
nas Trovoadas, clareadas
pelo Sol.
O silêncio da noite, numa
ampliada sedução,
rompeu o ciclo de Xangô,
no lamaçal de Nanã,
com Coriscos e Trovões
com fogo nos Céus.
Que lindo poema, que lindo !
Vejo na luz, Ewa, Oxumarê,
Xangô, Iyansã, Nanã e Iyemanjá
acalentando Omolu e os dois
omorixás: Salejoní e Kilamarê
Eguns e Ancestrais.
Que lindo!
Olodumaré seja sempre Senhor
de um Destino Feliz. Obá mió.a

VONTADE II


Suely Saad
9ª Edição - Rio de Janeiro

ESCREVENDO VERSOS
ME SINTO SEMPRE FELIZ
VERSINHO BEM SIMPLIZINHO
COMO EU SEMPRE FIZ

GOSTO DE VER REPENTISTAS
QUANDO VIAJO AO NORDESTE
FICO IMPRESSIONADA
COM OS TALENTOS"CABRA DA PESTE"

SÃO PESSOAS MUITO SIMPLES
QUE VERSEJAM COM AMOR
DEDICAM VERSOS BONITOS
POR UM PEQUENO VALOR

BRINCAM COM AS PALAVRAS
FAZEM MUITA CONCORDÂNCIA
ACABAM RIMANDO TÃO BEM
NÃO MOSTRAM IGNORÂNCIA

FALAM DE TUDO QUE VEEM
DAS MODAS DE SUA TERRA
RIMAM DESDE MOÇA BONITA
ATÉ O POBRE QUE SE "FERRA"

EU AQUI TAMBÉM FALANDO
QUERENDO SER RIMADOR
ACABO ESCREVENDO MEUS VERSOS
BRINCADO DE TROVADOR!!!




O outro lado da decepção


Márcio Alexandre
9ª Edição - Sergipe


Sofrer uma decepção
Certamente não faz bem ao coração
Mas ensina a vencer
A não esmorecer

Ensina que tudo é um aprendizado
E que não vale à pena ficar decepcionado
É um passo em falso
Mas não vale ficar parado

Faz gente forte
E mudar a sorte
Por isso, não se importe
Decepção é um aporte

E por mais que se perca
Faz gente construir cerca
Para nunca mais deixá-la entrar
Pois ela pode tentar retornar

VIVENDO E APRENDENDO


Marlete Alves
9ª Edição - Sergipe

Já vivi bastante, mas não o bastante.
Já vi muita coisa nessa vida
Vi vidas carentes,  sofridas
Vi a natureza inconstante
Vivi e não aprendi nada
Nem tudo, nem de tudo absorvi
Mesmo sem nada saber
Valorizei o que vivi
Já vi o humilhado cair
Vi o safado subir
Vi rico ficar pobre
Me vi diante dos nobres
Vi o fraco desistir
Também vi a queda do esnobe
E vi o doente sorrir
Passei à frente dos outros
Recebi nem sempre o que dei
Lá na frente observei
Como tem caminhos tortos
A vida é mesmo engraçada
Quando penso que vi tudo
Vem o destino confuso
E vejo que não aprendi nada.

RIMAS


Varenka de Fátima Araújo
9ª Edição - Bahia

Rimas rolando,
riscando rotas,
raríssimos roteiros,
reviravoltas rimadas.

UNIVERSO

Marinês Bonacina
9ª Edição - Rio Grande do Sul


No horizonte
a mata esverdeante
 o perfume da relva, o ar puro,
o sussurrar
da fonte cristalina,
com cheiro de mata.
Nas pedras, o calor do sol,
a flor do campo que
exalta seu perfume,
no caminho a natureza.
Só silêncio,
somos viajantes deste
percurso  carregando sonhos
no encontro das energias.
Nos paralelepípedos
a manhã azul, uma imensidão
no enigma da vida,
Sem armas, sem guerras
na infinita vibração o universo.



sábado, 2 de setembro de 2017

PAZ


Viviane Marconato
9ª Edição - Rio Grande do Sul

Nas entranhas
dos meus eus
descanso agora,
em paz!

Mas eu não tinha


Ágata Mariah Maia Kochenborger
9ª Edição - Rio Grande do Sul


Eu podia te oferecer café quente todas as manhãs.
Podia te oferecer palavras bonitas sempre e cantarolar pra você no banho.
Eu podia te oferecer meu colo como travesseiro.
Podia te oferecer momentos simples mas felizes.
Eu podia te oferecer todo meu amor.
Mas infelizmente o que você queria era o que eu não tinha,
A calmaria e o aconchego de um lar, onde você escolhe ficar para sempre,
Mas eu não tinha.

Desculpa.

O RETORNO


André Flores
9ª Edição - Rio Grande do Sul

Há quase trinta anos
Um menino franzino iniciava sua trajetória
Na vida escolar.

Ele pouco sabia
O que o destino estava reservando para ele.

Com uma severa deficiência visual
Enxergava vultos na lousa.

Com força de vontade e perseverança
Com a ajuda da família e dos professores
Lutou para completar o ensino fundamental.

Seguiu sua saga pelo saber
Encontrou dificuldades no ensino médio
Mas, mesmo assim, olhou para  frente.

Chegou ao nível superior
Tornou-se administrador, com muita bravura.

Casou, teve uma filha
Construiu uma casa
Construiu uma família.

Comprou sua casa
Comprou um carro
Adquiriu os seus bens
Valorizou seus princípios.

Caiu muitos tombos e levantou muitas vezes
Chorou muitas noites e sorriu muitos dias.

Virou um poeta
Escreveu sua história
Falou do pé de goiabeira
Do céu e das estrelas.

Lembrou da família
Também dos amigos
Falou da sua esposa
E também da sua filha.


Falou dos seus pais
Da cidade querida
Lembrou da escola
Onde viveu com alegria.

Retornou como poeta
Homenageado foi
Ganhou das crianças o presente maior de todos.

Resta apenas agradecer aos mestres com carinho
À escola que um dia
Aprendeu a somar e subtrair.
E nas letras do alfabeto
Escreveu este poema
De gratidão e saudades da escola do seu coração.

Esse menino é André Flores!



Nós e o Tempo


Verinha Avelino
9ª Edição - Sergipe

Sob as pálpebras do tempo

estamos nós, tão sós –

- distintos leitos multicores.

Em busca de proteção, nos arriscamos:

mergulho no mar,

maré cheia, espumas.

E ficamos

fazendo, desfazendo e refazendo

os nós.

Arca do contraditório:

eterno pesar,

fúteis momentos.

No trem da vida,

reviramos os vãos dos contentamentos,

tão vãos!

E o tempo?

Inconteste e incontido,

em seus lampejos de vilania,

entre olhadas e piscadelas,

continua rindo...

de nós.

Poetas no Ônibus


Alexandre Lettner
9ª Edição - Rio Grande do Sul

Manoel Bandeira, ao entrar no ônibus pergunta ao cobrador: - Passa em Pasárgada?

Não, diz Carlos Nejar: - Todo coletivo do Sul nos leva ao Pampa!

Drummond da janela, vislumbra uma pedra no caminho, e atônito indaga:

E agora José, e agora João?

- Calma! Grita Fernando Pessoa: - Todo poeta é um fingidor!

Porém Neruda rebate: - verdade, juro, foi poesia o que senti, o que escrevi..

Confesso que vivi!

No coletivo lotado, poetas por todos os lados:

- Caio, Paulo Hecker, Adélia Prado...

Lá, bem ao fundo,

Quintana com saudades de sua casa na antiga

Rua da Praia, pensa consigo:

“Todos esses que aí estão atravancando meu caminho,

Eles passarão.... eu passarinho!



AO PASSAR DOS SÉCULOS NO MEU BRASIL !!

J R
9ª Edição - Paraíba

Ao cantar do galo convidando-o para a lida de mais um dia de grande labuta, do campeiro lá daquelas bandas das gerais, caboclo sacudido não espera o repicar do seu despertador o rei do terreiro e numa pressa danada abandona o seu ninho dá um beijo na amada vai até o quarto das crianças, faz um afago em cada um , passa rapidamente uma água no rosto e já planejando como deverá ser o seu dia ele prepara o café no fogão a lenha, o coador é de pano o café é o da safra passada trocado que foi com seu compadre  por alguns sacos de batata, numa forma inteligente de auto gestão deixando para comprar  apenas aquilo que não se pode produzir, ele dá afoitamente algumas goladas no café que são acompanhadas por um bom pedaço de bolo de fubá e um gostoso pão de queijo , coloca na matula  duas pamonhas que irá ajudá-lo a enganar o estomago  até a hora da bóia que o seu filho mais velho o leva todos os dias na hora que vai pra escola, que fica a beira da estrada de rodagem, aproveita para amolar bem a enxada e o machado pega também a foice passa a mão na espingarda  pica pau que já fica carregada,  para que na eventualidade de aparecer pelo caminho alguma caça, ou que tenha que se defender de algum bicho mais perigoso acostumados que estão em invadir as invernadas a procura de comida, expulsos que estão sendo do seu habitat natural, pelo avanço incontrolável  da especulação imobiliária  que não respeita as áreas limítrofes achando que tudo pode se transformar em condomínios ou daqueles pecuaristas gananciosos e desinformados que acham que o ser humano só é movido a suculentos bifes de picanha produzidos por bois que vivem confinados em piquetes cada vez menores, que os impedem de fazer longas caminhadas, no intuito de produzir  carnes que possam  satisfazer aos paladares mais exigentes  e vacas de leite que são forçadas a produzir  duas vezes por dia  porque no alvorecer do novo dia  os latões que são colocados  próximo a porteira  beirando a estrada possam estar burrifando com aquele ouro branco, que dali segue para os grandes laticínios que por sua vez após o processo de pasteurização alimenta com seus derivados as grandes empresas do ramo alimentício mundo afora  temos as serrarias que todos os dias jogam ao chão arvores centenárias que foram palco de encontros marcantes, de juras de amor e de pedidos de casamento e que logo estarão sob as mãos habilidosas de artesãos , marceneiros e carpinteiros  que poderiam estar exercendo seus nobres ofícios usando madeira vinda de área de reflorestamento mas que por ganância dos poderosos corruptores aliados a servidores públicos corruptos que ganham seus vultosos salários muitas vezes até sem comparecer à as suas  repartições e ainda com a garantia do emprego, dados por uma lei já preparada  á beneficia-los  e com estabilidade no emprego, são pagos pelo povo  para trabalhar para o povo , mas que fazem de seus gabinetes verdadeiros escritórios particulares, onde negociam aquilo que deveriam proteger  e vão arrumando burocracias desnecessárias  criando dificuldades para poderem vender as facilidades  e de um poder judiciário vagaroso e improdutivo, emperrado em centenas de processos que são movidos por recursos intermináveis, que mesmo antes do caso julgado já concede ao réu  a liberdade por decurso de prazo,  e de hábeas corpus que são assinados de madrugada, mas acho que você deve estar se perguntando  o que isso tem a ver com aquele matuto que pula cedo da cama ao cantar do rei do terreiro, e segue a sua luta campeira trabalhando  de sol a sol e debaixo de chuva, sem nenhuma proteção do estado caso venha adoecer se machucar podendo ficar invalido  ou até morrer trabalhando de  a meia  em troca de casa comida e alguns parcos recursos  para que possa cuidar de sua família, e lá vem  o nosso matuto todos os dias na sua volta pra casa,  com a enxada nas costas e cheio de esperanças sabendo que no cumprimento de seus afazeres diários não foram necessários negociatas concorrências fraudulentas notas frias licitações encomendadas, nem produtos falsificados ou contrabandeados  e que ao chegar da lida campeira  cansado mas realizado por sentir que a colheita deverá ser muito boa, pois que o tempo  tem sido o seu fiel aliado, ao chegar na sua palhoça, promete a esposa um vestido novo e pros filhos que vai leva-los a cidade para tomar sorvete no parque de diversões no próximo domingo,  depois da missa , lembrando que a tardezinha  vai ter quentão pipoca algodão doce e quadrilha  e que ele será o noivo junto com sua amada esposa na festa de São  João , as crianças pulam de alegria, vendo todo o entusiasmo do papai , que corre vai até o riacho toma um bom banho na cachoeira  e volta trazendo dois pequenos peixes  que servirá para o jantar, Pede para ver  o caderno do filho que lhe entrega um bilhete da professora  com carinhosos elogios ao aluno, pega no colo a filha mais nova  enquanto a esposa prepara o jantar cantarolando a musica da época  em que eram namorados  e que o casamento , ainda  era apenas uma promessa feita  a sombra de um jequitibá , perguntando a ele se se lembrava do dia em que teve que colocar as barbas de molho e ir pedi-la em namoro , são destes brasileiros que falo agora porque sei que eles são cada vez menos , mas  que ainda existem e que precisam ser olhados por nós com o mesmo respeito, tal como eles se respeitam entre si e a natureza.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Sofrimento sem Água


Marcelo Oliveira
9ª Edição - Bahia

Seca, secura
do mal, uma amargura
Corpos Esquálidos
Caídos, Fedidos.

O sertão perdido
Parecendo punido
Da dor, um prurido...
Desejado, belo,
Vira bicho fedido.

Na gosma, vem o alarido
Com o corpo repartido
Vem o alimento da ave carniceira
Onde de repente
O céu se fecha...
Cuja água aplaca o sofrimento
Por um momento...
Para depois tudo recomeçar.

ENTRE QUADRAS, SEXTILHAS E SEPTILHAS, VOU SEGUINDO...


Alaíde Souza Costa
9ª Edição – Sergipe


Quero aprender cordel
Porque ele é a memória
Representa a Cultura
Conta a nossa história.


Uma vez eu afirmei
Quero ser feliz, rapaz
Amar e ser a querida
Na sua vida. És capaz?


Eu nasci pra ser poeta
Disso eu tenho a certeza
Cresci lendo e rimando
É a minha natureza
Gosto mesmo de rimar
Fazer cordel com destreza.


Hoje eu voltei pra casa
Não vim só, nem de repente
Trouxe na mala os livros
Que vou te dar de presente
Eles vão ficar guardados
Você marca novamente?

Detesto quem vive
Praticando a maldade
Age que nem um bandido
Vê a oportunidade
Para nos trapacear
Ser um falso, enganar
Nunca diz uma verdade.


Para que ave com preço?
Para colocar na prisão?
Você quer viver, assim?
Quer estar livre, ou não?
Deus, nosso Pai, está vendo
Como estamos fazendo
Não as maltrate, irmão.


* ASC: Academia Sergipana de Cordel

MEMÓRIA


Nairernan de Carvalho Alves Rodrigues
9ª Edição - Alagoas

Memória é coisa assim...
Bem do íntimo da gente
Cada um sente,
Cada um vive
Do seu jeito.
Fica guardadinha,
De repente!... aflora,
Com o cheiro,
Com o gosto,
Com o toque.
Cheiro de mato verde, da paz vivida...
Do café da minha mãe com o pão quentinho que eu trazia correndo na sacola de papel.
Gosto da rapadura quentinha,
Da cana melada no mel que borbulhava na gamela do engenho.
Toque dos pés no riacho, afundando... afundando...
E o mergulho seguido nas águas geladas. E o riacho? Não sei o seu destino.
Do banho de chuva em cada goteira,
Do girar, girar nos braços do pai amado,
Do beijo do marido enamorado,
Do abraço gostoso nas filhas ao nascer.
Cheiro,
Gosto,
Toque
Estas são minhas e as suas?
Memórias, que acalenta a alma revivendo a emoção.